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Jeito de mãe

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Grazieli Esposti é jornalista e especialista em Comunicação Estratégica e Gestão da Imagem. Mas sua maior realização é sem dúvida a maternidade. Mãe do Bernardo, 5, e do Henrique, 2, ela vai dividir em sua coluna um pouco das dores e delícias de ser mãe, tudo com muita opinião, sinceridade, respeito, fé e bom humor. Sugestões: jeitodemae@eshoje.com.br / Instagram: @grazieliesposti

     
           

O outono e as ites

                       
                             

           
jeito de mãeAh, o outono! Ele chegou trazendo dias mais frescos e amenos. Bom pra dormir mais um pouco, ficar em baixo do cobertor, tomar um vinhozinho. Que delícia de estação, amo! Quer dizer, eu amava, até me tornar mãe! Porque agora, cara leitora, junto com esse tempinho gostoso, voltam, com força total, as danadas das ites. Rinites, sinusites, bronquites, amigdalites e otites, pois, ainda que estivessem repousando em berço esplêndido, apareceriam com força total mais uma vez!
Para pra pensar aí por um minuto quantas mães reclamaram com você nos últimos dias que os filhos adoeceram? Comigo foram tantas, e com os mais variados diagnósticos possíveis, que resolvi escrever sobre este tema. E mesmo que a criança, ou o adulto, não tenha chegado ao ponto de desenvolver uma inflamação ou infecção, pelo menos uma gripe ou resfriado pegou muita gente de surpresa. Um verdadeiro festival de “atchin” e “cof cof”. E para quem tem filho alérgico, tenho dois exemplares aqui, essas mudanças afetam sempre mais.

Pensando nesse nosso contexto de vida, fui em busca de algumas dicas para tentar ajudar na prevenção ou amenizar os sintomas já instaurados. Conversei com a pediatra, alergista e imunologista, Dra. Aline Rocha Camporez, que me passou algumas orientações de como proceder neste período. “Peço aos alérgicos cuidados ambientais anti-ácaros redobrados. Mofo nas paredes e nas roupas guardadas, nesta época de umidade podem ser o gatilho para o início de uma crise alérgica, podendo evoluir para uma infecção. Evitar ambientes fechados com aglomeração onde possa haver contágio com pessoas doentes, além de lavar as mãos e aplicar álcool em gel sempre que possível, também são medidas preventivas”, explicou.

Outro cuidado importante é a adesão e a manutenção de tratamentos de rotina ao longo da vida. Sabe quando tudo está bem e esquecemos de fazer o básico? Pois é, não pode. Já falei do mantra da minha casa né? Lavar o nariz com soro todos os dias, faça chuva ou faça sol. Às vezes estão ótimos e bate aquela preguiça ou cansaço mesmo. Aí lembro, só estão ótimos porque prevenimos. Já faz parte da rotina de higiene por aqui, no mesmo patamar do banho e escovação dos dentes. E se tornou tão habitual e natural, que os meninos fazem até sozinhos. O mais novo então, acha um máximo. Mas nem sempre foi assim, porém como foi acostumado desde sempre, hoje tira de letra.

Doutora Aline mencionou ainda a importância de agasalhar as crianças adequadamente, evitando chuva e sereno. Pode parecer coisa de vó falando que não pode, mas aqui são super sensíveis a mudança de temperatura, os tais choques térmicos. Então, evito mesmo certas estripulias para o bem deles. Já deixei brincar na chuva, claro, até porque é uma delícia e faz parte da infância, mas tem que ser naqueles dias lindos e quentes de verão. Toda uma estratégia montada, sabe. Loucura? Exagero? Nossa realidade, afinal, depois que fica doente já era. E tem dado muito certo, quase não adoecem, mesmo com a predisposição por serem alérgicos. Claro que a idade também conta, pois vão crescendo e adquirindo a tão sonhada imunidade. Acreditem mães de bebês, ela vai chegar! Mas até lá, cumpra sua parte, faça o dever de casa. Não adianta reclamar, aceita que dói menos!

Ela também me confirmou que o número de atendimentos no consultório devido a infecções respiratórias aumentou nos últimos dias, infelizmente. Inclusive, ela também é alérgica e no momento está resfriada, e por isso atende todos os pacientes usando uma máscara, exatamente para evitar o contágio e proliferação do vírus. A mamãe Mariana Busatto também usa esta importante forma de prevenção em casa com seu filhote. “João está saindo de dias difíceis, com tosse, coriza, febre e agora quem está gripada sou eu e não quero correr o risco dele pegar novamente”, explicou.

E é assim que deve ser. Prevenção sempre, desde as melhorias no ambiente que vivemos, a rotinas estabelecidas de cuidados e tratamentos preventivos, certamente, sob orientação médica. E se mesmo fazendo tudo direitinho, a criança adoecer, Dra. Aline enfatiza a importância de iniciar os medicamentos de resgate e avaliação médica pra avaliar a gravidade do caso, assim que os sintomas aparecerem. No mais minha gente, muita força e paciência para passar este período e cuidar dos nossos catarrentos. Até a próxima!
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Tratamentos dermatológicos permitidos na gravidez e pós-parto

                       
                             

           
Foto: Divulgação
Divulgação
O assunto da coluna de hoje vai interessar muito as gravidinhas e mamães vaidosas de plantão. Vamos falar dos cuidados que devemos ter com a pele e os cabelos durante e após a gravidez. Sabemos que devido as alterações hormonais eles podem ficar lindos como nunca. Mas e se acontecer o contrário? Quais problemas podem ser tratados e de que maneira, durante a gravidez? E no pós-parto? Para esclarecer todas essas dúvidas, conversei com a dermatologista, Isabella Redighieri, mãe da Valentina e grávida da Sofia. Currículo melhor impossível, afinal, além de ser especialista no assunto, já viveu uma vez e agora pediu bis.
 
As queixas mais frequentes nesta fase tão especial das mulheres são o surgimento de dermatites no couro cabeludo, as famosas caspas, o aparecimento de acnes, estrias e do melasma, aquelas manchas cor de castanha no rosto, que inclusive, me acompanham a vida toda. Isabella me contou que ela também tem tendência a ter melasma, ou seja, não somos só eu e você, querida leitora, e que por isso, em sua primeira gestação teve muitos cuidados para evitar a piora da mancha, e assim que teve a bebê, intensificou.
 
Infelizmente, a maioria dos tratamentos estéticos não são permitidos durante a gestação pelo fato de não haver estudos que garantam a segurança do feto. No geral, o que pode ser tratado são acnes, manchas, micoses e dermatites, mas sempre com muita cautela e cuidado. Portanto, se você está grávida e sofrendo com alguma dessas situações, procure um dermatologista para prescrever o que há de melhor e mais seguro, pois muitos ativos (componentes) são proibidos nesta fase, inclusive os que ficam à venda nas prateleiras de farmácias. Nada de usar aquele produto que a amiga indicou ou você viu na televisão hein, por favor!
 
Vale citar ainda que lasers e aparelhos para flacidez e gordura localizada não devem ser utilizados. Já a drenagem linfática pode ser feita à partir do primeiro trimestre, com autorização do ginecologista. Mas o que realmente faz toda a diferença na gestação e na vida como um todo, é sem dúvida, a prevenção. Muito protetor solar ajuda evitar o melasma, que tem o sol como gatilho, bastante hidratante pra prevenir as estrias, além de produtos para amenizar a oleosidade do rosto e couro cabeludo.
 
E é exatamente a prevenção que a Isabella indica e pratica também. Olha só essas dicas de ouro que ela me contou que está fazendo: “Não abro mão de um bom filtro solar, ácidos e um hidratante rico em antioxidantes que manipulo em altas concentrações, pois além de tratar a pele, clareia manchas e previne o envelhecimento. Alguns ácidos são permitidos na gestação em determinadas concentrações desde que com acompanhamento dermatológico. Cremes para prevenção de estrias devem ser utilizados diariamente. As vitaminas são indicadas na gravidez, pois além de ajudarem na formação do bebê, repõem déficits que ocorrem durante a gestação, diminuindo, por exemplo, a queda de cabelo”.
 
Ah, a queda dos cabelos. Como me lembro dos tufos caindo pela casa. E não foi nem uma nem duas vezes que ouvi uma amiga dizer algo do tipo: “Socorro, eu vou ficar careca!”, tamanho o desespero desta fase, que ocorre com mais frequência após o parto. Isabella explica que o nome técnico desse problema é eflúvio telógeno, em que os fios de cabelo entram rapidamente em fase de queda e que pode durar em média quatro meses. “Normalmente é auto-limitada, mas eu trato minhas pacientes desde o início para evitar que o cabelo fique muito ralo”, explica.
 
E se mesmo com todo o cuidado e prevenção as manchas surgirem ou os cabelos caírem? Não precisa desesperar, tem jeito pra tudo e muitos tratamentos podem ser feitos ainda na fase da amamentação. “Já podemos introduzir cremes para clarear a pele que sofreu com melasma, fazer peelings, tratar estrias e realizar procedimentos a laser”, explicou. Já o botox e o preenchimento com ácido hialurônico não são permitidos durante a amamentação. Para esses, a mamãe que amamenta vai precisar esperar mais um pouco.
 
Mas quer saber, mesmo com manchas, estrias ou cabelo caindo nada supera a realização de ser mãe. Vale a pena passar por tudo isso em nome da maternidade. E depois, quando der, a gente resolve e coloca tudo no lugar, se assim desejarmos é claro. Até a próxima!
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Por que precisamos ter um dia só para as mulheres?

                       
                             

           
Foto: Grazi Esposti
Grazi Esposti
O oito de março, Dia Internacional da Mulher, foi marcado por manifestações, debates, discussões, comemorações e muitos mimos. Mas, acima de tudo, foi um dia de reflexão. Mas, afinal, por que precisamos ter um dia só pra gente? Assim como outras datas comemorativas representam causas importantes que precisam ser divulgadas e debatidas, esse dia só nosso também serve pra isso. Infelizmente, apesar de sermos maioria quantitativa no Brasil e no mundo, ainda somos minoria no quesito representatividade, respeito e direitos iguais.

Logo pela manhã ganhei flor na academia, que também fez um lanche saudável pra mulherada. Pausa aqui para o mimimi: não se trata de um dia pra ganhar presentes ou parabéns. Não concordo, pelo simples fato de acreditar que uma coisa não anula a outra. Não espero isso de ninguém, mas se ganho, agradeço, sou gentil e sigo em frente na minha luta, que aliás, é diária.

Já no período da tarde, participei de uma mesa redonda com o tema “Mulheres Operadoras de Segurança Pública – Desafios e Conquistas”, mediada pela psicóloga, Mestre em Psicologia e pesquisadora em Saúde do Trabalhador, Janice do Carmo Demuner Magalhães, e que teve a participação da Policial Rodoviária Federal, Ana Carolina Cavalcanti, da Delegada da Polícia Civil, à frente da Delegacia de Proteção à Mulher, Juliana Saadeh, e da Capitão da Polícia Militar e piloto de helicóptero, Elizabeth Pereira Bergamin.

As convidadas tiveram a oportunidade de contar um pouco do seu dia a dia como policiais, mulheres, esposas, mães e outros tantos papeis exercidos por elas e por todas nós diariamente, afinal, somos mestras na tal jornada dupla, tripla e por aí vai.

Elas citaram vários exemplos e deixaram claro o preconceito que ainda enfrentam por serem mulheres ocupando funções em instituições historicamente masculinas e machistas. E que apesar das dificuldades, todas têm muito orgulho de sua história e suas conquistas e garantem que não vão parar de lutar pela igualdade de direito entre ambos os sexos.

Deu orgulho de ver tantas mulheres vitoriosas em suas vidas, cheias de garra e vontade de se superar cada dia mais. Foi uma troca de experiências maravilhosa entre todas as presentes. Mulher falando que já teve que “engolir” cara feia de chefe quando anunciou gravidez, outras que encaram olhares tortos quando precisam levar o filho ao médico. Algumas que criam os filhos sozinhas, sem a ajuda do pai, outras que contam com a parceria deles, mas que quando viajam, quase piram na batatinha. Inclusive me vi nesse relato, e olha que essa mãe tem três e eu dois. Prova que as personagens mudam, mas as histórias se repetem.

A Capitão da PM, Elizabeth, contou que tenta driblar o preconceito e as diferenças buscando sempre se superar. Ela disse que se o horário de entrada é às 6h, às 5h30 ela já está lá pronta para o batente. Também contou que está sempre disponível para ajudar os colegas e cobri-los quando necessitam. Sua proatividade é tamanha, que uma vez aceitou cobrir dois colegas e só depois se deu conta. Claro que ela resolveu a situação sem ninguém se prejudicar. Outra experiência que ela dividiu, foi o fato da escola dos filhos sempre ligarem para o pai quando algo acontece. Aí você pode pensar, nossa! Pois bem, nossas escolhas requerem renúncias e consequências, sempre. E qual o problema do papai resolver essas demandas, já que o filho é igualmente dos dois e possivelmente ele possui mais flexibilidade?

Se você acha que tem, para pra refletir e avaliar se o preconceito e o machismo não estão bem aí, dentro de você. Mas uma coisa é certa, também não concordo em precisarmos fazer mais do que deveríamos só pra mostrar que somos capazes e competentes. Poxa, desumano isso. Entretanto, que façamos o necessário e o que nos deixa bem e realizadas, sempre.

Outro exemplo pra dar orgulho de ser mulher é o da Delegada Juliana. Ela todo dia prende bandidos que insistem em cometer violência contra todas nós. Em contrapartida, está gravidinha do quarto filho. Isso mesmo, quatro. É ou não de se orgulhar? Fico emocionada de ver essa escolha linda pela maternidade e sem deixar os outros papeis importantes pra ela de lado. Pois é o que sempre falo aqui, você pode só cuidar de casa e filhos, pode só trabalhar fora, pode trabalhar e cuidar do lar e das crianças, pode não querer filhos, pode fazer tudo, pode fazer nada. Você pode, nós podemos! Temos esse poder, esse direito, esse dever! E é por esses motivos que ainda precisamos desse dia pra gente, pra mostrar a que viemos e o que queremos.

E pra completar esse dia cheio de inspiração, terminei com um papo cabeça com meu filho mais velho sobre esse assunto. Quando ele chegou da escola, tinha um bilhete de felicitações na agenda dele pra mim. Aí perguntei:

- “Filho, você sabia que hoje é o dia internacional da mulher”?
Ele disse que sim e emendou com a pergunta:
- “Existe o dia dos homens também, mamãe?”. Respondi que não, pois não havia necessidade e fui explicando todos os motivos que eu conseguia lembrar e julgava compreensíveis para esclarecer o assunto pra ele. Segui falando:
- “Você sabia que se a mamãe e o papai tiverem o mesmo emprego, o papai vai ganhar mais só porque é homem?”. Ele balançou a cabeça dizendo que não com carinha de espanto.
– “Você acha isso justo meu filho?”. Ouvi outro não. “Ufa!”.
– “Sabia que muitos homens batem em suas mulheres, filhas e mães? E isso acontece tanto que tem uma polícia só pra defender a gente. Pode bater filho, isso é correto?”.
– “Não mamãe, não podemos bater em ninguém.”.
– “Sabia que depois que a mamãe teve você, no dia que ela voltou a trabalhar, ela foi mandada embora? E ela teve que ouvir que seria melhor pra mim, já que eu queria dar mamar pra você?”. “Pois bem meu filho, passamos por muitas coisas tristes que os homens não passam e por isso precisamos lutar muito por nossos direitos, sem desistir”.

E após toda nossa conversa, que apenas resumi aqui, ganhei um abraço e um beijo e a certeza de que estou plantando uma sementinha do bem aqui em casa, na esperança de que a geração de nossos filhos saiba respeitar e valorizar as mulheres como merecemos. E pra quem ainda não entendeu, não estamos pedindo demais e nem a mais, apenas direitos iguais. Até a próxima!
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Volta às aulas e a adaptação

                       
                             

           
As férias escolares se foram e enfim teve início o ano letivo. Com uma semana de atraso, devido aos problemas de falta de segurança pública no nosso Estado, ontem foi dia de recomeçar. Hora de rever uns amigos, conhecer outros, descobrir quem seriam as tias, onde fica a nova sala, se tem brinquedos diferentes, enfim, tudo novo de novo. E com tanta novidade, impossível deixar a ansiedade de lado, chega a ser engraçado. A gente torce tanto para esse momento chegar e quando ele chega, bate um vazio enorme. Coisa de mãe, loucuras da maternidade.
 
 
 
E também foi meu primeiro dia sem os dois em casa e posso dizer que ouvi um silêncio ensurdecedor. Nada de brigas, confusões, gritarias, brincadeiras, risos e chamados a mamãe a cada cinco minutos. E mesmo tendo muito trabalho pra fazer e colocar em dia, meu coração ficou apertadinho, sentindo falta de toda a loucura e imaginando como cada um estava se comportando. Não se trata de tristeza, pelo contrário, mas expectativa mesmo e saudade também, parecida com a que sentimos quando enfim, eles dormem.
 
 
 
Como os meus estudam em escolas diferentes, fomos todos levar o pequeno na dele para dar aquela força. Em seguida o papai foi deixar o mais velho e eu fiquei com o caçula para a tal adaptação. Ah, a adaptação, sempre acreditei que ela é muito mais pra gente do que pra eles. Apesar do choro alto e pedidos de não vá embora de muitas crianças, geralmente quando os pais viram as costas, elas imediatamente param, o que é um alívio para todos nós.
 
 
 
Mas ontem não foi uma adaptação propriamente dita, pois os pequenos já não são tão pequenos assim, então os pais ficaram um pouquinho no início para a ambientação e depois foram embora. Alguns tiveram que ficar mais tempo pra consolar os que choravam, mas depois todos ficaram sozinhos, sem exceção. O meu me viu levantar e perguntou: “Vai embora mamãe?”. Respirei fundo, olhei nos olhos dele e perguntei: posso ir? Ele disse que sim, com tranquilidade, perguntando apenas se eu voltaria pra busca-lo. Ôh gente! Pensa bem! E entre um abraço apertado e um beijo molhado, eu disse que daqui a pouco estaria de volta.
 
 
 
Eu agradeço muito a Deus que nunca passei pela situação de ver filho chorando e implorando pra eu não ir, pois me corta o coração, juro. Meus meninos nunca choraram, sempre se adaptaram com facilidade e tranquilidade, o que não quer dizer que não sentissem a separação. Sinceramente, se chorassem e agarrassem nas minhas pernas pedindo pra eu ficar, não sei o que eu faria. Possivelmente ia chorar junto, mesmo que por dentro. Olhar aquelas carinhas lindas com os olhos cheios de lágrimas e ter que ir embora deve ser difícil demais. Então, agradeço mesmo por não ter passado por essa provação, pelo menos essa. E para as mamães que estão vivendo esse momento agora, só posso deixar minha solidariedade e meu carinho e dizer que logo vai passar, em breve seu filho vai te dar aquele tchau tão esperado e jogar beijos.
 
Nesse processo todo, acho importante sermos firmes, olhar nos olhos, conversar antes em casa e explicar tudo o que vai acontecer. Mesmo pequenos eles entendem e criam expectativas que precisam ser atendidas. Lembra da pergunta que o Henrique me fez, se eu voltaria pra busca-lo? Então, assim que eu o peguei ele olhou pra mim e falou: “Você não veio me buscar!”. Surpresa com a indagação, falei que tinha ido sim, estava ali, ora pois. Mas ficou claro pra mim a maneira que ele havia entendido o nosso combinado. Ele achou que eu voltaria logo, e olha que nem demorei, pois saí da sala às 14 horas e às 16 horas já fui buscar, pois nessa primeira semana o horário é reduzido. Então ficou mais essa lição pra mim, preciso ser ainda mais clara. Hoje, ao deixa-lo, nos despedimos na porta e falei que ao final da aula, quando todos os pais viessem, eu o buscaria, e assim o fiz.
 
Então, posso dizer que por aqui deu tudo certo e espero que por aí também tenha sido um sucesso. E se não foi, tenha paciência e perseverança que tudo logo se ajeita. Até a próxima!
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O que esperar para o futuro de nossos filhos?

                       
                             

           
cA coluna desta semana certamente não era sobre este tema, mas diante do caos instaurado no Espírito Santo, como mãe e jornalista que sou, não posso fingir que nada está acontecendo, preciso colocar pra fora toda minha indignação e tristeza com esta situação. Não vou entrar no mérito da legalidade ou não da ação das famílias dos policiais militares, que desde sábado impedem que a PM exerça seu trabalho, que é o de proteger nós cidadãos. Acho que a questão é bem anterior a isso. Essas famílias nada mais fazem do que lutar por seus direitos. Se é a melhor maneira? Não me cabe julgar, eu não tenho esse direito.
 
 
Você já pensou se fosse casada com um PM? Se ele saísse pra trabalhar e você não soubesse se voltaria? Ou como voltaria? Se ele não ganhasse nada a mais por trabalhar a noite? Ou por exercer uma profissão de risco? O que falaria para seus filhos quando entendessem o trabalho dos pais e contestassem sobre a segurança de desempenhá-lo? Que o papai ou a mamãe, no caso da policial mulher, são verdadeiros heróis e heroínas e que nada de mal iria acontecer com eles? Você mentiria desta forma para seus filhos, fazendo-os acreditar em super poderes que não existem? Pois infelizmente, você não poderia dar estas garantias, pois apenas nos desenhos e histórias infantis isto é realidade.
 
 
Pois bem, se você, assim como eu, desde ontem está sendo bombardeado com vídeos e fotos de violência de todos os tipos, seja pelo WhatsApp ou pelas mídias sociais, e mesmo com muito medo está tentando o exercício de se colocar no lugar do outro, sem olhar apenas para o próprio umbigo, estamos juntos nessa. É hora sim de repensar a questão toda, de forma mais ampla.
 
 
Muitas pessoas não foram trabalhar hoje, seja porque foram liberadas ou por não ter condições mesmo. Quem tem filhos, está em casa com eles, até porque as aulas foram suspensas. Aqui em casa estamos todos presos, sitiados, assim como muitos capixabas. Meu filho mais velho já estava tendo aula e o mais novo retornaria hoje. Estavam animados que iriam para a escola, mas isso não pode acontecer. Então chamei os dois e expliquei o real motivo. Obviamente de uma forma que pudessem entender e que não entrassem em pânico, mas falei a verdade, pois é assim que eu acho que deve ser e tento praticar por aqui. Ficaram tristes, mas entenderam, e pedi para que rezassem para que tudo se resolvesse logo, da melhor maneira possível e amanhã todos pudessem ir para a escola.
 
 
Aproveitei o momento e perguntei em todos os meus grupos de WhatsApp oque cada mãe/pai estava explicando para os pequenos e como estavam sendo as reações. A maioria contou que disse a verdade, obviamente adaptada a idade e a realidade de cada família, ou seja, de acordo com a visão de cada uma sobre a situação. Algumas mães preferiram omitir os fatos para não apavorar as crianças, o que é compreensível.
 
E dentro dessas realidades distintas, duas situações me chamaram a atenção. Uma mãe me disse que o filho ficou triste porque não haveria aula, mas entendeu e ainda falou: “mãe, quando eu crescer, vou ser policial e vou proteger todo mundo”. Uma resposta nada surpreendente se pensarmos na pureza e inocência de uma criança, entretanto, totalmente improvável para nós adultos, que sabemos a real situação dos fatos. Esta criança mora em um bairro nobre e está sujeita a assaltos e sequestros diariamente, mas se por sorte isso não acontecer, vai continuar com a esperança e o brilho nos olhos que todos nós deveríamos ter.
 
 
Enquanto isso, outra criança, repito, outra criança, que mora num bairro da periferia e está “acostumada” com a violência diária, outro tipo de violência, convenhamos, reagiu de outra forma quando a mãe explicou porque não haveria aula hoje. Ela contou exatamente o que estava acontecendo e ele se manteve tranquilo, afinal, está acostumado com tudo isso. Já viu bandido matar outro na sua frente, com tiros na cabeça. Hoje não sente mais medo, até tem curiosidade de ir ver o “presunto” quando sabe de um fato. No bairro deles, não teve assaltos e esta correria toda que estamos vendo, nem costuma ter. O que teve e tem lá é diferente. É bandido contra bandido. É guerra de facções. É disputa por quem comanda o tráfico de drogas. E com a falta de policiamento, criminosos rivais, aproveitaram para executar seus adversários. Até dentro de hospitais entraram.
 
 
Meu coração dói de pensar nesta realidade, tão perto e tão distinta de mim ao mesmo tempo. São dois mundos muito diferentes, mas ambos tristes e cruéis. Porém, enquanto a primeira criança, assim como meus filhos, são privilegiadas e ainda acreditam num futuro promissor, outras tantas já perderam até este direito. Não sonham mais! É muito cruel! É desumano! E já passou da hora de repensarmos nossas escolhas, nossos governantes, quem nos representa ou pelo menos, deveria representar. Pois é papel deles, resolver isso!
 
 
Senhores governantes, aqui quem fala e exige soluções reais é uma mãe, nem melhor, nem pior do que qualquer outra, mas que sonha com um futuro digno para seus filhos. Pirraça é coisa de criança e vocês já passaram desta fase. Não adianta fazer pronunciamento dizendo que tudo que podem fazer está sendo feito, pois não está. Sentem e negociem com os policiais, esforcem-se para atender suas reivindicações, pois são mais do que justas. É isso que esperamos de vocês. Não podemos pagar o pato mais uma vez. A situação chegou a este ponto e a culpa não é do povo. Quer dizer, de certa forma é sim, pois vocês estão aí porque foram eleitos, mas aí já é outra história.
 
 
Por hora, espero de verdade que resolvam esse caos. Não adianta trazer 80 homens da tropa nacional de segurança hoje e 120 amanhã. Não vai resolver. Não trará segurança e os policiais vão continuar sem seus direitos. Foram mais de 50 homicídios registrados neste fim de semana. Eram 50 vidas. É isso que devemos esperar para o futuro de nossos filhos? Tenho fé que não! Até a próxima!
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