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Sergio Vidigal reconhece que deixou dívidas e obras inacabadas

Foto: Dayana Souza
Dayana Souza
O ex-prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), assumiu, pela primeira vez, que deixou o município com obras inacabadas e dívidas. E disse que parte da responsabilidade foi do Governo do Estado, e outra foi do “tempo”. O pedetista, que foi prefeito de 1997 a 2004 e 2009 a 2012, foi derrotado no pleito de outubro de 2012 para seu ex-aliado, Audifax Barcelos (PSB) recebendo 37,56% dos votos válidos (80.299 votos enquanto Audifax foi eleito com 131.245 votos).

Hoje dedicado à organização do PDT, sigla que é presidente estadual e secretário nacional de organização institucional, ele se prepara para assumir cargo no Ministério do Trabalho e Emprego – cujo partido é titular com Manoel Dias -, e se dedica em preparar a sigla no Espírito Santo para disputar eleição e discutir posição do PDT na disputa pelo Governo do Estado.

“Voltei para reassumir e reorganizar o PDT estadual. Estamos visitando todos os municípios, preparando a chapa de deputado estadual e deputado federal. Vamos agora fazer a convenção, em junho, e estamos preparando seminários do partido pelas microrregiões do Espírito Santo para debater alguns temas característicos de cada região. Neste documento a gente vai preparar para apresentar ao nosso candidato a governador os compromissos que ele teria com o PDT e também levantar algumas bandeiras”.

Sobre a gestão de seu sucessor, ele preferiu não fazer comentários, mas disse que a população verá, com o tempo, se fez justiça ao não reelege-lo.

Entrevista

váriasESHOJE: Desde que o senhor saiu da prefeitura de Serra, o que tem feito?
Sergio Vidigal: Sou médico da prefeitura e do Estado, e no finalzinho do mandato fui convidado pelo ministro do Trabalho a ocupar um cargo no ministério. Nós tivemos um pequeno problema no partido, porque o PDT tinha uma briga interna com o presidente do partido, e achei por bem aguardar a convenção. O PDT, agora, reiterou o convite e estou só aguardando a nomeação do cargo de Secretário de Políticas Públicas do MTE.

E na sigla pedetista capixaba?
Voltei para reassumir o PDT e voltei para reorganizar o PDT estadual. Estamos visitando todos os municípios, preparando a chapa de deputado estadual e deputado federal. Nós vamos agora fazer a convenção do PDT, no mês de junho, e também estamos preparando seminários do partido pelas microrregiões onde vamos debater temas característicos de cada região. Neste documento a gente vai preparar para apresentar ao nosso candidato a governador os compromissos que ele teria com o PDT e também levantar algumas bandeiras para os candidatos a deputado estadual e federal. Também estamos trabalhando para ampliar o número de filiados.

Como morador da Serra e ex-prefeito, como avalia a gestão Audifax Barcelos?
Eu gostaria de não fazer avaliação, pois as pessoas poderiam achar que seria com parcialidade. Vamos aguardar a população avaliar. O que posso dizer é que o cenário da economia já era o que eu falava desde 2009, porque vivi este cenário de queda de receita. Uma coisa importante é que a Serra não tinha e passou a ter foi a captação de recursos. Nós deixamos entre recursos, em caixa, quase R$90 milhões e de captação algo na ordem de R$300 milhões. Para se ter uma ideia, a prefeitura está pronta para dar ordem de serviço em 13 creches, conveniadas e licitadas ainda em nosso mandato. O hospital materno-infantil na ordem de R$ 69 milhões - que R$ 25 milhões já estava em caixa -, unidades de saúde novas, duas policlínicas e mais algumas unidades básicas de saúde da família que o recurso ficou em caixa. Então deixamos lá uma capitação na ordem de quase 300 milhões de reais, de convenio com o Governo Federal e convenio com o Governo estadual.

Como recebeu as críticas das obras inacabadas e as dívidas deixadas?
Deixei, sim, obras inacabadas. Foram 98 obras não concluída, e não inauguradas sem estarem concluídas. Elas estão não concluídas por precisam ser complementadas. Com a crise econômica tivemos que reduzir os investimentos em obras. Uma parte delas já tem recurso federal garantido e não foram concluídas porque o tempo não deixou. Outras não foram concluídas porque a gente tem que investir de acordo com a arrecadação e o Governo do Estado foi responsável por isso, porque tinham R$ 28 milhões do Estado para entrar desde o mês de maio e acabou não entrando. Foi uma operação de venda de uma área onde é o atual Shopping do Povo. Foi feito, inclusive, uma autorizativa na Câmara, autorizativa da Assembleia, nota de empenho do Governo do Estado. Se não tivesse este problema teríamos entregue a maioria das obras.

E quanto às dívidas?
Primeiro não tem nenhuma instituição, seja prefeitura ou privada, que não tenha dívidas de médio e longo prazo. A prefeitura da Serra tem dívida de médio e longo prazo. Por exemplo, com o Sistema Previdenciário, que temos até 2029 para pagar, vão passar muitos prefeitos na Serra. Dívida de precatório, em que a lei diz que você tem que tirar 1% da receita e depositar em juízo. Então a dívida de precatório da Serra, que não é muita coisa – R$ 40 milhões – mas que vai pagar ao longo do tempo inteiro que estava contemplado no orçamento da cidade. Divida com limpeza pública é divida de pagar em 96 meses, inclusive algumas que eram do próprio mandato dele (Audifax, que foi prefeito de 2005/2008). Quando ele foi prefeito foi discutido junto com o poder Judiciário, que mandou a renovação do contrato e repactuamos a divida em 96 meses. O restante são coisas do dia a dia, que a prefeitura vai arrecadando e vai pagando.

O senhor se sente injustiçado, com a imagem manchada?
Injustiçado não. Eu acredito que tem uma prática de destruição na politica que é a pratica da mentira. Aliás, a única coisa que destrói é mentira Acho que o tempo vai mostrar de fato a gestão. Eu torço para que a gestão dê certo, porque sou morador da Serra e lá moram meus irmãos, filhos, netos.

Depois destes quase quatro meses fora, o que ficou por fazer?
Nós tivemos um governo planejado. Primeiro planejamos para 20 anos, depois planejamos de novo. Então ficou faltando muita coisa para concluir. Até porque tem coisa que se conclui com 4, 8, 12, 16 anos. Eu diria que a única coisa que eu gostaria não de ter concluído, mas iniciado, mas que ficou com dinheiro em caixa e obra licitada, foi o hospital materno-infantil, que é o maior hospital materno infantil do estado, com 120 leitos. O que eu esperava concluir e não deu tempo foi a terceira UPA.

Como o senhor avalia o Governo Renato Casagrande para a Serra?
Olha, o Renato fez alguns convênios importantes para a Serra. Na verdade eu peguei os dois primeiros anos de Paulo Hartung (2003/2004) e os dois últimos (2009/2010) e, se comparar estes dois governos o Estado já começou a fazer investimentos na Serra. Renato Casagrande manteve os investimentos. Tem algumas obras hoje na cidade que estão sendo executadas graças ao convenio com o governo do estado. Mas o Estado tem uma divida conosco. Qual o maior desafio que a cidade tem que não depende somente do prefeito? Segurança pública!

Renato Casagrande será o candidato PDT em 2014?
2013 não tem eleição, então o partido não discute a eleição de 2014, apenas se prepara. O PDT apoiou Renato em 2010, participa do governo de Renato com a secretaria de Desenvolvimento Urbano e os quatro deputados estaduais são da base do governo. Contribuímos com a governabilidade. Acredito que não temos nenhuma dificuldade de apoia-lo. Como o cenário do ano que vem depende do nacional, onde estarão os partidos, o PDT tem como prioridade as eleições proporcionais. Vai contar muito na decisão do partido, as composições que fizer para as eleições proporcionais.

O senhor vai ser candidato ano que vem?
É possível...

Mas e Sueli Vidigal – deputada federal e esposa do ex-prefeito?
Vamos discutir isso depois da convenção do PDT, em junho. A priori vou ser candidato à eleição proporcional. Eu sendo candidato a federal com certeza ela não será.

O PDT dará base a uma eventual candidatura do senador Magno Malta (PR)?
O PDT é partido que apoia projetos. O Magno é meu amigo pessoal, mas a minha amizade não permite que eu vá fazer um apoio se não for discutido com o partido. O Magno, em 2012, me apoiou, mas o partido dele esteve contra mim. Em 2006 quando eu fui candidato a governador ele esteve comigo, mas o partido dele esteve com Paulo Hartung. Mas aonde eu estou, está o partido e aonde o partido está, eu estou.

Qual é o tamanho do PDT no Estado?
Nós temos oito prefeitos, 69 vereadores, quatro deputados estaduais e três federais. Temos o segundo maior número de filiados do Estado – o é o PMDB.

Qual é a prioridade agora?
Agora é a convenção do partido em junho, a construção da boa chapa proporcional estadual e federal. É organizar o partido do país inteiro para as eleições de 2014. O PDT capixaba está fazendo a resolução de que toda cidade acima de 50 mil habitantes tem que ter, obrigatoriamente, um deputado estadual e as com mais de 100 mil habitantes, tem que ter um a deputado federal. E ainda a probabilidade de ter uma chapa sem precisar coligar na proporcional.

 

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